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Desnecessário iniciar este texto falando das diversas demandas que o atual cenário mundial impõem ao novo empreendedor. Preferimos levantar alguns pontos cruciais na análise de investimentos, quaisquer que sejam, dentro do processo de tomada de decisão nas organizações. Também não vamos comentar as milhares de empresas que surgiram em decorrência dos últimos planos de PDV das organizações e que hoje só alimentam as estatísticas de desemprego e falências, não só no Brasil como no resto do mundo.
Vamos nos ater à seguinte questão macroeconômica: Qual a diferença entre investimentos que deram resultados reais e os demais que destruíram o capital investido? Talvez a resposta esteja na CAPACIDADE DO EMPREENDEDOR. O mercado não permite erros ingênuos, feitos por intuição ou calçados na simples vontade de dar certo. O grande empreendedor possui uma visão estratégica do seu negócio, não se limita a satisfazer somente suas expectativas pessoais, mas consegue entender que está inserido num ambiente dinâmico, volátil e altamente dependente de sua capacidade de se relacionar com os diversos segmentos da sociedade.
Nesse sentido, destacamos a necessidade de elaboração de um Projeto de Viabilidade como ferramenta para tomada de decisões. Um Projeto de Viabilidade abrange uma variedade enorme de argumentos – que dificilmente conseguiríamos abordá-los na sua totalidade em um simples artigo como esse. Mas ressaltamos alguns itens que podem ser a chave para o sucesso de qualquer empreendimento.
Premissas básicas para elaboração de um Projeto de Viabilidade:
- Aprofundamento na análise dos fatores de risco analisados:
a) Riscos Financeiros: taxa de juros e câmbio, disponibilidade de crédito, inadimplência; b) Aspectos ambientais, de patrimônio e responsabilidade civil; c) Fatores operacionais: acesso à matéria prima, alavancagem operacional, superdimensionamento de custos, definição da tecnologia adequada e localização; d) Riscos políticos (país) e de negócios (regulamentação); e) Aspectos mercadológicos: análise do potencial do mercado, oportunidades, concorrência, estudos setoriais, demanda e oferta a médio e longo prazo, etc; f) Aspectos legais: legislação vigente, possibilidade de ajustes nas diretrizes fiscais com futuros impactos na atividade econômica; g) Exigências Ambientais: mais do que nunca não há mais espaço para qualquer investimento sem a análise detalhada dos impactos ambientais, pois a tolerância tende a ser levada a níveis tão específicos que nunca seriam imaginados nos últimos anos; h) Dimensionamento dos investimentos: possibilidade de implantação total ou por módulos, seguindo a própria evolução do negócio.
- Envolvimento das partes integrantes do processo:
a) Acionistas: cabe a eles a responsabilidade integral de qualquer iniciativa, como tomada de decisões estratégicas, comprometimento com o retorno sobre o capital investido, administração de expectativas, entre outros; b) Fornecedores: a capacitação técnica destes deve estar alinhada com os quesitos de qualidade do produto, cumprimento de prazos, racionalização dos custos de estoque passando pela análise do custo-benefício da matéria prima, etc; c) Órgãos governamentais: sejam eles Estados, Municípios ou União, não há como tomar uma decisão sem o completo conhecimento de todas as exigências, obrigações a serem cumpridas em decorrência dos investimentos a serem realizados, bem como dos possíveis benefícios e vantagens segundo a particularidade de cada um; d) Agentes Financeiros: qualificar e quantificar qual será a oferta de linhas de crédito do mercado segundo a conjuntura atual e qual a visão do mercado financeiro assim como seu apetite para novos empreendimentos, de acordo com a necessidade de capital para o investimento. Sobre esse aspecto, comentaremos adiante mais detalhadamente. e) Fundos de investimento: de forma geral, sejam eles fundos de pensão segundo suas limitações, fundos de investimento específicos para cada atividade econômica, com a origem do funding interna ou externa, possibilidade de participação de investidores estrangeiros e/ou órgãos de fomento internacionais, entre outros.
- A projeção e análise dos indicadores econômico-financeiros, traçando diversos cenários que vão dos piores possíveis aos mais otimistas, é de fundamental importância. Essa iniciativa proporcionará ao investidor se preparar para enfrentar situações adversas com pelo menos uma idéia ou sinalização de qual atitude tomar durante esses períodos. Essas ações a serem tomadas também deverão ser previamente analisadas segundo as variáveis utilizadas na formatação dos cenários iniciais. Todos os componentes das equações previstas deverão ser constantemente atualizados e nunca deixados de lado à espera de variações futuras. Não se trata de uma receita de bolo que se tira da gaveta somente diante de uma necessidade. O seu monitoramento deve ser algo constante e fazer parte das prioridades da empresa.
- Implantação do projeto: Essa talvez seja uma das fases que exigem maior atenção, pois nesse ponto tudo pode se perder por simples erros e omissões consideradas pouco relevantes num primeiro momento, mas que trarão conseqüências em cadeia, difíceis de detectar e com altos custos na sua resolução. Vamos a três simples tópicos:
a) Habilidade de coordenação das equipes envolvidas: é de fundamental importância que todos se sintam comprometidos com um objetivo comum, que é o resultado esperado, via satisfação dos acionistas, clientes, fornecedores e sociedade em geral. Nenhuma unidade conseguirá sucesso isoladamente devido à real interdependência de todas elas; b) Cronogramas físico e financeiro: para qualquer planejamento existe uma meta de prazos, seja na definição do tempo de operação seja no retorno do capital investido. Adiar prazos sem justificativas muito bem embasadas, reforçam a máxima de que “tempo é dinheiro”; c) Capital Humano: um CGC não seria a união de vários CPFs? Então como esperar resultados satisfatórios sem aliar capacitação técnica, experiência, liderança e novos talentos, todos com liberdade para pensar e autonomia para decisões no sentido de desburocartizar processos e criar novas soluções? Sem nos esquecer da necessidade de descentralizar decisões com remuneração justa e também compatível com as competências individuais e/ou de equipe.
È importante que o empreendedor entenda que a profissionalização nos processos de análise de crédito das instituições financeiras está extremamente evoluída. Não há como esperar crédito de um banco apresentando somente balanços dos exercícios anteriores, balancetes sem consistência técnica e a ainda prática comum de “acobertar” o fluxo de caixa das empresas. Essa análise tem hoje, o mesmo efeito de se dirigir um automóvel olhando somente para o retrovisor. O nível de transparência das informações está tomando proporções tão aguçadas que passam pela análise do comportamento ético dos acionistas, sendo muitas vezes fator de indeferimento de limites independente da saúde financeira da empresa. Estudos setoriais são cada vez mais importantes com pareceres globais da economia e não somente segundo seu porte no local em que atua. Principalmente para os investimentos mais vultuosos, os chamados covenents exigem o cumprimento de todas as premissas e projeções estipuladas no Estudo de Viabilidade inicial, sob pena de vencimento antecipado do contrato. Essas cláusulas envolvem os principais indicadores econômicos, financeiros, operacionais, ambientais.
Se hoje as grandes empresas tem que ter seu foco nesses aspectos, não é difícil prever que dentro em breve toda a economia esteja inserida nesse contexto.
Marcus Mascarenhas e Alessandro Tolentino Pires MAKRO CONSULTORIA EMPRESARIAL
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